Sobre o blogueiro: Pedagoga e jornalista, mestre em comunicação pela Universidade de Brasília.
Escritora, radialista e atleta. Autora do livro \"Poder Local NO AR\".
Neste blog vamos dialogar sobre temas diversos como educação, comunicação, meio ambiente, literatura, saúde, atletismo y muchas otras cosas.
Noel Rosa morreu em 4/5/1937. Lá se vão 63 anos, completados hoje, sem aquele que é considerado um dos nossos maiores músicos. Aqui, uma provinha do que foi capaz de compor em seus tempos de encarnado na Terra.
Abaixo, o vídeo de Maysa e Rildo Hora. Sinta o que três gênios da nossa música, o gaitista ainda vive no Rio de Janeiro, fazem com esse clássico da boa música brasileira. Lirismo, maestria e sensibilidade.
Em 1999 vivi a alegria de assistir a uma palestra proferida por Dalai Lama, em Brasília. Alegria por vários motivos, já que eu morava há pouco tempo na capital federal e, descobria a cada dia novas possibilidades de filosofias, religiões, seitas, teorias – cada uma a seu modo propagando a paz, o amor. Brasília, pra se ter uma ideia, é uma das cidades do mundo que possui mais templos em seu território.
Diversas autoridades estiveram presentes numa tenda branca montada na Universidade de Brasília, como o rabino Henry Sobel, o indígena Marcos Terena, e representantes do candomblé, da igreja presbiteriana, da Universidade de São Paulo, entre outros.
Dalai Lama, um poço de paciência, falou calmamente sobre a paz, que ele não quer impor o budismo às pessoas, que respeita as demais religiões, tratou também da importância do mundo espiritual e não somente do material. Diversas vezes fora interrompido pela aclamação do público, com palmas e vivas pelo tanto de sábio que havia em suas palavras.
Contudo, o mais intrigante que me afetou na época, passo a narrar agora:
Dalai Lama, líder espiritual do Tibet (localizado ao sudoeste da China e que luta por sua independência desde o início da década de 1950), se comunica não no dialeto nativo, mas em inglês. Assim viaja o mundo proferindo palestras, encontros, reuniões seja com líderes e autoridades ou com pessoas simples do povo. Desse modo consegue se comunicar com o mundo.
Como ocorre em diversos países por onde passa, Dalai Lama se expressa em inglês e, em seguida, um tradutor translada para a língua oficial do país em que se encontra – no nosso caso de 1999, em português.
Isso, só para contextualizá-lo, caro leitor...
Assim, imagine você a cena: Dalai Lama falando em inglês (a platéia que dominava a língua inglesa batia palmas e expressava sua compreensão imediatamente, antes de o tradutor realizar seu serviço – tudo certo, tudo natural até aqui), então vinham as tais palmas, em seguida o tradutor interpretava o discurso e, a seguir, o óbvio: pessoas que dominavam apenas o português bateriam palmas e expressariam com vivas e outras demonstrações gestuais e faladas sua compreensão assim como o primeiro grupo o fizera. Certo?
Não, necessariamente. Ocorreu aí um triste caso de desrespeito. Observe como para nos melhorarmos é necessário afinco, trabalho, muita dedicação. A fronteira para amanhã sermos melhores do que hoje é muito sutil.
As mesmas pessoas que expressavam olhares, gestos e falas de alegria e simpatia às palavras de amor, paz e justiça proferidas pelo ilustre mestre tibetano, no primeiro momento após a fala em inglês dele, em vez de considerarem o timing necessário para a outra parte da plateia também compreender a mensagem, pediam, ou melhor, exigiam silêncio, fazendo psssssssssssiit [sabe aquele barulhinho onomatopaico, que mescla p e um som chiado?].
Aquilo virou um barulho só. Junte o ruído de uns pedindo silêncio e outros com mãos festivas batendo-as incontinente. Parece algo com uma palestra de Dalai Lama?
Eu não precisaria considerar, mas não me aguento, vou revelar. Essas mesmas pessoas não eram indivíduos sem estudo, sem bagagem intelectual, muitas aprenderam inglês fazendo intercâmbios, viajando o mundo. Portanto, seres com pretenso discernimento da diplomacia que essas ocasiões exigem.
O evento ocorreu diversas vezes durante o discurso de Dalai Lama. Esses homens e mulheres teriam entendido o sentido mais simples da visita do convidado estrangeiro ao nosso país? Teriam sacado qual a real do discurso proferido em nome da paz? Teriam percebido o que vieram aprender ali? (Adriane Lorenzon)
O que você quer para a sua vida? Como a avalia até agora? O que você acha que pode ou não fazer para melhorar e mudar a sua vida? Precisa mudar? Essas perguntas certamente não são comuns nas rodas de amigos, nos bares, nos bate-papos das vizinhas, nas fofocas que se ouve por aí. Imagine a cena, alguém dizendo: “– Fulana, ficou sabendo do novo projeto de vida da beltrana? Pois é, ela resolveu ser feliz, quer amar mais, vai ajudar mais o próximo, passou a se alimentar de modo saudável. Nossa, como ela está melhorando de vida! Como ela está evoluindo espiritualmente”!
Avaliar, analisar e refletir sobre a vida pessoal é algo que não
nos ensinaram, seja na escola, na família, na igreja, no clube, muito menos pelos meios de comunicação. E, sendo assim, parece que é algo que não precisa existir, que não precisa fazer parte da vida de cada um. Eventualmente, quem tem acesso à arte e à filosofia e gosta de estudar esses temas pode assim ter contato com aquilo que transcende aos olhos, com o que mora mais longe, com o que está mais fundo do nível do mar. As regiões abissais são cheias de vida, embora a luz não se faça presente.
Geralmente, o questionamento e a inquietude ficam adormecidos até o dia em que algo nos desperte do cômodo conforto que buscamos ao longo dos dias. Nesses casos, entramos em parafuso, perguntamos o porquê de o nosso mundo estar desabando, nada nos consola ou se explica porque não há respostas imediatas para malresolvidos acúmulos gestados há largo tempo. Por que esperar chegar ao fundo do poço para buscar saídas? Talvez seja mais sábio trocar o tipo da pergunta e passar de por que isso ou aquilo, para para que isso está acontecendo comigo? Como ocorreu tal coisa comigo? Em que circunstância? Creia, muda-se o foco e o modo de se ver uma problemática e de solucioná-la também. Isso nos leva à reflexão automaticamente.
Ao encontrar um amigo que não se vê há muitos anos, o que seria contado a ele? Quais aspectos, qual enredo permearia o diálogo? O que você teria de interessante e nobre para resumir sobre a sua história? Acaso problemas, murmúrios e frustrações dariam a tônica da narrativa? Ou tendo experimentado a ousadia de querer uma vida melhor, teria aprendizados diversos, mesmo que tristes ou quiçá os alegres, para compartilhar?
Nesses tempos de comemoração e homenagem ao centenário de Chico Xavier, o Brasil traz à tona uma frase atribuída ao médium mineiro: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. Pois, quando invertemos a lógica de visualizar nossos problemas, desafios e limitações, passamos a criar coragem e discernimento para encarar frente a frente a razão e descobrirmos resoluções para os incômodos e dificuldades que nos impedem de voar mais alto.
Então, fica uma pergunta indigesta, que dói o estômago, deixa a cabeça zonza e a fala encontra argumentos diversos para disfarçar. E de agora em diante, como quero seguir? Como planejar esse novo fim que me move no impulso dos dias e na irremediável trajetória que tenho a trilhar? Se errei, sofri, voltei ao erro, o que fazer para elencar metas plausíveis de serem realizadas, na pauta de meu projeto pessoal, tendo como princípios a decência, o amor, a fraternidade? Como me desenrolar do emaranhado de problemas e confusões no labirinto da vida?
Olhar para trás, encarar a razão, analisar as lições de cada acontecimento é um bom começo. Afinal, estamos aqui para evoluir. Carregamos o germe do que nos impulsiona ao progresso, ao melhoramento. Quando não nos foi dito que refletir mais profundamente, analisar a vida de modo holístico, contestar verdades amorosamente, não são tarefas prioritárias de cada ser no mundo, também não nos disseram que tínhamos total condição a priori de optar, usando nossa consciência, a aceitar isso como verdade. Temos poder decisório nisso tudo.
Desse modo, é possível recomeçar sempre. A síndrome de Gabriela (Gabriela, música de Dorival Caymmi eternizada na voz de Gal Costa) não precisa estar presente o tempo todo de todo o tempo que temos. “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou sempre assim” e... posso alterar essa formação daqui pra frente. Não preciso morrer como sempre fui. Ou seja, EUQUERO que a minha vida seja sustentada por pilares construídos por mim e não pelos outros – por valores alheios ao meu entendimento do que seja um mundo melhor. Perceba que a harmonia do universo é o resultado da soma de harmonias individuais. Só a paz que nos invade nos momentos de deleite e regozijo nos dá a sustentação e o ânimo necessários para a labuta dos momentos difíceis.
Realizar a tão propalada reforma íntima, expulsar os irmãos gêmeos egoísmo e orgulho do coração, tomar atitudes benfazejas de deixar rastros de amor não são tarefas fáceis. Promover o automelhoramento dá trabalho, sim! E quem quer pagar o preço? Todo bônus tem uma contrapartida, um esforço. São tantas medidas emergenciais a serem tomadas: entender que temos responsabilidade sobre nossas escolhas e que nossa consciência possui gravadas as opções de retidão do caminho, desenvolver a compaixão, aparar as arestas com a família – nossa base de apoio em que estão nossos maiores desafios de reconciliação –, e entender de uma vez por todas que fazer o bem não é simplesmente não fazer o mal.
Talvez você considere mais cômodo encontrar alternativas equivocadas de justificativa como afirmar que agora não é hora, que agora precisa trabalhar, agora seu filho ainda é pequeno, agora você não está aposentado; para uns porque são velhos demais, para outros porque são jovens demais. Todos se desculpando para não promover a fantástica viagem da “iluminação interior”, como bem nos lembra Divaldo Franco. Tem até quem ouse dizer, com toda a arrogância e ignorância peculiares dessas situações, que está bem assim, que nada há para alterar. Afirma-se, ingenuamente: “Se melhorar estraga”! Estar satisfeito gera um conforto que mascara o que poderia ser melhor, o que poderia ser diferente. Há uma frase de Guimarães Rosa: “O animal satisfeito dorme”. O que aconteceria com a humanidade plenamente satisfeita?
Prioridades baseadas no raciocínio, na reflexão podem nos levar a um dia a dia que nos fortalece nessa jornada. Quais requisitos devem prevalecer na nossa lista pessoal de opções desse ponto em diante? O comodismo nos paralisa, nos convence de que algo não está bem, mas poderia estar pior, então está bom assim. Constate se realmente você quer melhorar algo. Se a resposta for sim, porque o não aqui não nos interessa, diga esse sim em novas atitudes, renove o seu agir no mundo, amplie os horizontes buscando possibilidades. As novas escolhas virão consequentemente. Não há necessidade de esperar um acidente de carro, a perda de um ente querido ou do emprego, a amputação de uma perna, uma separação, para perceber que algo precisa receber mais atenção por você.
A cooperação entre as pessoas não é algo para amanhã, para outros povos, para outra vida. Se nos juntarmos em voz uníssona, respeitando os diversos timbres, em busca da melhoria interior de cada um, estaremos viajando em uma velocidade maior rumo ao desconhecido regozijo das almas que descobrem em tempo hábil o que é viver bem. Acreditar que a verdadeira felicidade não é deste mundo não deve abafar a busca por dias melhores. Miséria, sofrimento, doenças são desafios para nossa luta em prol da limpeza do Planeta. Enfrente seus medos e limitações, mergulhe fundo no que lhe incomoda e busque respostas com perguntas espertas e provocadoras. Não se contente com pouco. “É melhor ser alegre que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe”, diz a canção de Vinicius de Moraes e Baden Powell.
Assim, o seu epitáfio será escrito de outra forma, a história contada ao amigo que não se vê há muito tempo terá outra narrativa. Ajudar o próximo na tomada de consciência de que a vida é muito mais do que o que passa na televisão, do que é dito por aí, é tomar atitudes que resvalem de si para o mundo e contagiem positivamente outros tantos. Isso é cooperação, fraternidade, solidariedade. A melhoria espiritual e o progresso interior vêm quando paramos para analisar como tem sido a vida até aqui. E a prática é a marca indelével que deixamos como exemplo.(Adriane Lorenzon)
Renato Manfredini Jr. faria 50 anos, meio século, neste sábado (27) de março.
Salve Renato, obrigada pelo amor!
No vídeo abaixo, ele canta "Daniel na Cova dos Leões", uma das canções mais bonitas de sua autoria com o parceiro Renato Rocha.
"Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo: De amargo então salgado ficou doce, Assim que o teu cheiro forte e lento Fez casa nos meus braços e ainda leve E forte e cego e tenso fez saber Que ainda era muito e muito pouco.
Faço nosso o meu segredo mais sincero E desafio o instinto dissonante. A insegurança não me ataca quando erro E o teu momento passa a ser o meu instante. E o teu medo de ter medo de ter medo Não faz da minha força confusão: Teu corpo é o meu espelho e em ti navego E sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco A motor e insistir em usar os remos, É o mal que a água faz, quando se afoga E o salva-vidas não está lá porque não vemos".
Chico Xavier, o filme, estreia nesta sexta, dia 2 de abril
A obra homônima conta a história da vida do médium mineiro Chico Xavier, com direção do global Daniel Filho.
No elenco, Nelson Xavier (no papel de Chico), Ângelo Antônio (Chico ainda jovem), Christiane Torloni, Tony Ramos, Letícia Sabatella, Paulo Goulart, Anna Rosa, Giovana Antonelli, entre outros.
Acesse o site oficial do filme http://www.chicoxavierofilme.com.br
O que significa missão? De acordo com o dicionário Houaiss pode ser encargo, obrigação, dever, incumbência. De modo mais abrangente, pode ser também oportunidade, compromisso, responsabilidade, escolha, desafio. Seja como for, missão tem a ver com uma tarefa proposta para alguém ou por alguém a ser realizada num determinado período. No caso da missão de cada um, isso só a própria pessoa poderá saber qual é a sua tarefa principal na vida.
De acordo com alguns estudiosos espíritas, missão está relegada a seres de elevado progresso espiritual como os Chicos, Xavier e de Assis, Jesus Cristo, Gandhi, Buda, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Bezerra de Menezes. Porém, como o vocabulário terreno é ainda muito limitado, por conta mesmo das nossas infinitas dificuldades em vários aspectos, o uso da palavra missão, tarefa, dever, incumbência pouco importa. O que mais vale é como cada um irá lidar com os seus projetos planejados ainda na pátria espiritual. Sim, porque todos nós temos um propósito que escolhemos de acordo com o nosso merecimento e adiantamento moral. Se não escolhemos, se acaso esse dever foi determinado amorosamente pela espiritualidade superior, é porque ainda merecíamos, naquele momento, uma ajuda para definirmos melhor nossos planos e podermos, assim, seguir com mais facilidade a trajetória aqui estipulada.
O labirinto das flores de um ipê amarelo. Foto: Adriane Lorenzon
E então, qual a missão de cada um? Quantos sabem dizer qual é a principal tarefa de sua jornada aqui na Terra? Será que viemos para sermos políticos honestos, educadores amorosos e responsáveis, médicos e enfermeiros atenciosos com a dor alheia, vizinhos respeitadores dos limites do outro? Ou será que estamos aqui para realizar grandes obras e feitos como JK – Jucelino Kubitschek? Quiçá teremos vindo para sermos simplesmente bons irmãos, pais cientes de seu papel, mesmo num ambiente caótico? O que temos pensado sobre a seara que viemos cultivar? Como temos preparado o terreno? Há seduções que nos desviam do caminho reto?
Muita gente deixa para refletir sobre esses temas mais profundos quando a dor surge nas suas vidas. Não tem sido assim? Mas o importante mesmo é que um dia a gente pare um instante e se perceba no mundo: o que é que eu estou fazendo aqui? Como é que eu estou vivendo? Qual o meu diferencial nisso tudo? Será que estou fazendo a diferença no mundo ou sou apenas “mais um”?
Certa feita, um entrevistado de Leda Nagle do programa Sem Censura (TV Brasil), contou que um menino de 16 anos o procurou para ser auxiliado por ele, um consultor, e assim definir qual curso escolheria no vestibular. O sábio especialista disse ao jovem: eu posso te ajudar sim, mas só poderei fazê-lo quando você me disser qual é a missão da sua vida.
Ora, alguém poderá dizer: “Mas esse jovem é quase ainda um menino, não viveu bastante para saber qual é a sua principal tarefa”. Bem, pode não ter ainda bem definida essa missão, mas já reúne condições suficientes para saber que caminho gostaria de trilhar, quais aspectos do mundo que o incomodam, quais as dores que o afligem. Um mergulho fundo nas nossas angústias pode nos levar a descobertas impressionantes sobre o que pensamos ou desejamos para o nosso universo particular assim como para a vida alheia. Uma breve análise sobre as nossas ações, pensamentos e sentimentos, pode nos trazer as respostas mais difíceis das perguntas da alma. Se eu sinto e vivo o bem, é porque o quero em mim e no outro, ou seja, quero que o bem se engendre nos diversos ambientes e indivíduos do mundo; se, ao contrário, eu vivo em ressentimento e planejando vinganças e duelos com o outro, é porque o meu interior está inundado de mal.
Não importa que profissão escolhemos, se estamos desempregados, se frequentamos esse ou aquele templo, se nossa tarefa é criar os filhos, cuidar da casa, preparar o alimento da família. O que importa é como realizamos essas tarefas, das mais simples às mais complexas. Realizamos com amor ou com enfado? Com alegria em servir ou com o murmurar das reclamações constantes em nossos lábios?
Se o véu do esquecimento nos impede de saber se a nossa missão está de acordo com o planejado no mundo espiritual, não usemos isso como desculpa para ficarmos passeando por aí. Elevemos nossos pensamentos e observemos como temos nos comportado. Como têm sido nossas atitudes? Que diferencial deixaremos no mundo? Seremos lembrados como alguém amoroso, compreensivo e um ser sempre aberto ao aprendizado? Ou, por acharmos que já sabemos tudo, como aquela pessoa arrogante, raivosa, triste, amarga e solitária?
A missão de cada um pode ser, a cada dia, redescoberta, melhorada, ampliada para que mais pessoas recebam os respingos de nossa ação no mundo... Consulte a consciência e a intenção que há em cada palavra, em cada sentimento, em cada pensamento seu. Aí está a resposta para as inquietantes dúvidas acerca dessa pergunta que não quer calar: o que é que eu estou fazendo aqui? (Adriane Lorenzon)
Há dias tenho me detido a olhar, de modo mais atento, as flores. Aliás, as roseiras se tornaram, não por acaso, minhas preferidas.
Coisa de dois anos atrás, tenho tido evidências de que as rosas esbanjam mesmo é uma beleza irretocável... não só pela imagem exuberante que emitem aos olhos do olhador, mas pelo tímido perfume disfarçado entre as pétalas. Outras mais atrevidas ou despachadas mandam pro ar um perfume de deusas oníricas.
Em janeiro de 2010 tive a oportunidade de ir ao Fórum Social Mundial realizado, em parte, em Sapiranga (RS). Que maravilha descobrir a Cidade das Rosas! Lá, até o canal de esgoto é decorado (e não achei adjetivo melhor para elogiar!) com a flor vaidosa de O pequeno príncipe – e, nas mais variadas cores.
Foto: Adriane Lorenzon
Você pedala na ciclovia ao lado, com uma sensação de que está no jardim de casa. Tudo bem que não senti nenhum cheiro vindo do riozinho de dejetos. Aliás, nem havia sólidos, era uma água limpa, quase limpa. Mas vá lá, que a paisagem e até o ânimo melhoram ao se deparar com um espetáculo simples criado, provavelmente, por algum secretário municipal, prefeito ou morador que um dia ousou sonhar com uma cidade iluminada por rosas.
Foto: Adriane Lorenzon
As flores fazem qualquer caminho parecer menos fatigante. Uma trilha colorida com uma paleta diversa beirando o arco-íris se destaca num dos lugares mais nobres do ser: o timo, que fica pertinho do coração. Mas isso é papo para outro post. (Adriane Lorenzon)
Novo grupo de estudo em Tenente Portela está com inscrições abertas
Foto: Adriane Lorenzon - Miraguaí (RS)
Qualquer pessoa pode participar do Grudix - Grupo de Estudo e Divulgação do Espiritismo Irmão X, desde que esteja realmente interessado em fazer algo de diferente em prol de si mesmo e do próximo.
A ideia de criar o Grudix surgiu desta blogueira ao perceber que havia muita carência entre os amigos, parentes e conhecidos, de debates e reflexões sobre temas que aprofundam o conhecimento. Muita gente leva a vida "passeando", olhando as coisas sempre de fora, nunca como protagonistas da própria vida.
O Grudix se constitui em duas grandes vertentes: o estudo e a divulgação do Espiritismo. Nas aulas (na sala 1, primeiro andar, do prédio que foi do Pedro Alíbio, em Tenente Portela) são realizados estudos acerca de assuntos que angustiam a alma humana: perdão, livre-arbítrio, fé raciocinada, vida após a morte; além de leituras das obras básicas ditadas pelos espíritos ao codificador da Doutrina, Allan Kardec, nos anos de 1850 e, das obras de médiuns como Chico Xavier, Divaldo Franco, Raul Teixeira.
Já a parte referente à divulgação, é feita a partir de eventos que permitam à comunidade em geral, do município e da região, a saberem mais sobre o Espiritismo, em ambientes como clubes, câmaras de vereadores, associações.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas durante todo o mês de março de 2010. Informações pelo e-mail grudix@gmail.com ou pelo telefone 9101 1907.
É com carinho que convidamos a todos para a reunião de abertura do Grudix - Grupo de Estudo e Divulgação do Espiritismo Irmão X. Neste sábado, 16h, na sala 1, primeiro andar, do prédio do Pedro Alíbio.
Favor convidar mais irmãos/amigos que simpatizem com a filosofia espírita. Estamos com um quadro grande de mulheres, vamos chamar nossos amigos homens, também. (Eles merecem ;)
A coordenadora do grupo Adriane Lorenzon irá apresentar os princípios do grupo, objetivos, atividades, etc e iniciarmos os estudos. Levem o Evangelho Segundo o Espiritismo junto. Quem tiver, claro! E almofadas ou banquinhos, pois estamos ainda organizando adequadamente o local.
Para quem busca dicas de livros da nossa literatura, nada mal começar com a grande obra que Guimarães Rosa nos deixou: Grande sertão: veredas.
Publicado em 1956 e escrito em primeira pessoa, o romance é a longa narrativa de Riobaldo, um vaqueiro que se torna jagunço. Falando com um interlocutor ausente - o próprio leitor? -, Riobaldo conta sua vida e sua paixão proibida por outro jagunço, Diadorim.
Foto: Marcelo Prates (Globo, 1985)
O autor se utiliza de palavras inventadas, expressões da linguagem popular e da erudita - uma recriação da língua portuguesa. A sugestão é que a obra seja lida em voz alta, assim o leitor
tem a dimensão real do efeito dos diálogos e prosas dos personagens.
Abaixo alguns trechos curtos da obra:
"Viver é muito perigoso. Um sentir é o do sentente, mas outro é o do sentidor".
"Todo o caminho da gente é resvaloso. Mas, também, cair não prejudica demais".
"Sertão é o sozinho. Sertão: é dentro da gente".
"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende".
Foto: autoria desconhecida - Google Images
Para finalizar e inspirá-lo a ler, ou a não ler, diz-se que há dois tipos de leitor de Grande sertão: veredas: os que nunca leram e os que leem mais de uma vez.
E teve até quem sentou no chão ou foi embora por falta de lugar.
Tomada geral do público presente. À frente, Adriane Lorenzon realiza a abertura do evento.
A palestra sobre Depressão com o médico Fábio Franke, de Ijuí, levou ao Cult – Centro Municipal de Cultura um público além da sua capacidade de lotação. No local, cabem 188 pessoas sentadas.
Havia gente nas laterais, no mezanino, no fundo do auditório, no hall de entrada e até pessoas que sentaram no chão para não perder a oportunidade de autoconhecimento e melhoria interior que a fala do Dr. Fábio proporcionou. Teve até quem foi embora por falta de lugar.
Integrante da Casa Espírita Libertação, a psicopedagoga Ana Cristina Martinelli ouviu o seguinte diálogo entre duas mulheres: “Eu acho um absurdo um evento dessa dimensão ser realizado em local tão pequeno”. E outra emendou: “Mas também, quando fazem palestra [ou algo do tipo] ninguém aparece”.
Por essa conversa pode-se entender o seguinte: a partir de agora Tenente Portela está no roteiro de eventos que engrandecem o espírito e não somente as coisas materiais. Seguindo o exemplo de cidades da região como Três Passos, Ijuí, Horizontina. E, segundo: o espiritismo já não é mais tabu. As pessoas querem saber mais sobre o tema.
Estiveram presentes na primeira conferência desse gênero realizada no município, pessoas de diferentes religiões. É o caso de uma senhora evangélica que perguntou a esta repórter: “O que era a oração de abertura? A voz daquela mulher parecia estar dentro da minha alma”.
A oração inicial foi feita por Iara Juliane Ristow, da União Municipal Espírita de Ijuí e, a de encerramento, pelo próprio palestrante, o Dr. Fábio. Iara comenta que não é hábito do médico fazer oração em suas palestras: “Ele se sentiu tão à vontade com o público que quebrou o protocolo”. E, cá entre nós, encantou a todos com sua simplicidade. O sentimento de elevação espiritual tomou conta do ambiente.
A dinâmica da noite foi igual a que é realizada em casas espíritas sérias de todo o país em reuniões públicas: oração de abertura, palestra sobre tema relevante, e oração final. “A única coisa de diferente é que nesse caso abriu-se para perguntas. Normalmente, nas casas espíritas, os momentos de pergunta e resposta são deixados para ocasiões de estudo, na sala de aula”, diz Ana Cristina Martinelli. Prova de que não há nada de escuso ou charlatanismo em reuniões espíritas em centros que seguem o kardecismo.
Após a palestra, o público cheio de questionamentos teve a oportunidade de tirar dúvidas com o Dr. Fábio sobre a imortalidade da alma, a depressão como doença, a importância do autoconhecimento para uma vida melhor.
Realizado pela Casa Espírita Libertação – fundada há 14 anos – e pelo Grudix – Grupo de Estudo e Divulgação do Espiritismo Irmão X, o evento contou com o apoio da União Municipal Espírita de Ijuí e da Secretaria Municipal de Saúde de Tenente Portela. Os alimentos e agasalhos arrecadados serão doados nesta segunda-feira, 22, para o Hospital Santo Antônio de Tenente Portela. Informações: casaespiritalibertacao@gmail.com e grudix@gmail.com . (por Adriane Lorenzon)
Palestra sobre DEPRESSÃO é aguardada com expectativa em Tenente Portela
A depressão será tema de palestra e debate na próxima quinta-feira, 18, em Tenente Portela. O médico oncologista Fábio Franke, do Centro de Alta Complexidade em Oncologia – CACON do Hospital de Caridade de Ijuí estará no Centro Cultural para falar sobre esse mal que atinge grande parte da população mundial.
O palestrante Fábio Franke do HCI
Conhecido como Dr. Fábio, o médico já realiza esse tipo de conferência há muitos anos, sempre com ênfase na relação que une ciência e espiritualidade, mostrando que não basta para os pacientes com depressão o tratamento medicamentoso. É preciso também cuidar do espírito.
Adriane Lorenzon, uma das realizadoras do evento, diz que a depressão é uma doença que “atinge o estado de humor e de ânimo da pessoa, uma tristeza que parece não ter solução”. Daí a importância de trazer para a região Celeiro, o debate de um tema tão em voga nos dias atuais. “Porque é difícil conhecermos famílias, por onde quer que a gente vá, que não tenham ou não tenham tido um ente querido com essa doença, por isso é preciso conhecê-la e tratá-la”.
Muito se reclama que em nossas pequenas cidades nada há para se fazer de bom, ou seja, a maior parte dos eventos aqui realizados não contenta parcela significativa da população. Assim, o objetivo da palestra é realizar em Tenente Portela atividades que elevem o espírito e deem a chance ao público de interagir com o palestrante. “Nesses tempos de carnaval, em que o mundo se diverte com excessos de variados tipos é preciso que ao menos uma parte da multidão esteja voltada para as coisas do espírito, do intelecto, da consciência”, afirma Adriane. E é isso que a palestra sobre Depressão vai promover a quem for ao Centro Cultural: um encontro com um dos maiores males de nosso tempo, para conhecê-lo mais a fundo e estimular o bom ânimo e coragem a doentes, familiares e amigos para vencê-lo.